sábado, 29 de janeiro de 2011

Oficina

Escrever é uma missão, são textos que se materializam em minha mão. E tenho que dizer, isso não é fácil não, são muitas coisas, assuntos, fatos que passam por minha mente. Mas o ato de escrever, para mim, tem que ser um tanto inconsciente, e assim eu espero impaciente o momento da inspiração. No entanto, ai é que se desenterra a questão: como transmitir continuadamente com organização, como em uma oração, aquilo de que está cheio o coração? É uma inquietação e uma confusão na seleção... Se não apresento resistência, com hábil resiliência, esqueço o texto então.
            Admiro mesmo quem escreve com facilidade, sem ter de pensar em palavras-chave e chama com autoridade as palavras a sua mão. Eu as chamo bem baixinho, procurando-as em um cantinho e as trato com carinho... A fim mesmo de convencê-las a se incorporar a minha letra e me deixar escrevê-las. Foi com uma forma adaptada e a mente congestionada  que escrevi essa prosa rimada, minha primeira crônica ritmada, inspirada, de forma disfarçada, no nordeste e seu cordel; que aqui no sudeste eu tanto respeito e finalmente sinto o efeito na caneta e no papel.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Transitoriedade


Tem tempo que o tempo não dá tempo
Pra quem há muito tempo
Deixou de viver
Fica preocupado com a vida
E o tempo que não tem
Que não dá
Que não faz
Que não vive
E que passa
Que transpira
E não ultrapassa
O tempo que a vida tem

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Aula de Eletrônica


É estranho se sentir assim, mas me sinto em toda aula de Eletrônica. Sinto um vazio retificado, filtrado, contínuo: um vazio puro. E como é triste um vazio puro... Um vazio puro é apenas um vazio e não tem coisa mais infeliz que isso. Vazio puro não tem propósito, é como um circuito aberto destinado a permanecer ali inerte e inútil, sem corrente de vida, sem carga que produza energia, apenas com a tensão infinda e estática. A tensão estática, parada não por vontade mas sim por impossibilidade e que faz tudo parecer sempre a mesma coisa: um circuito-vida inerte, inútil, infindo e vazio.


Nota: Já dá para imaginar em que momento escrevi isso...

Mais uma noite de verão

Estávamos na praia e talvez já estivesse tarde demais, não me lembro direito. Mas havia um clima levemente angustiante naquela noite aromatizada pelo álcool e pela fumaça. As pessoas pareciam ir e vir distraídas, deslizando sobre a areia. Provavelmente era eu quem estava mais distraído. Saí daquela cobertura, uma espécie de tenda na praia, para contemplar a noite estrelada com a garota que eu tanto estimava ao meu lado. Ela me falava da natureza e de outras coisas sem importância. Não conseguia me concentrar em nada, apenas guardava meu desejo latente de beijá-la, de tê-la. “Tudo é muito novo para mim”, ela dizia, e eu compreendia, afinal ela era nova demais, não deveria mesmo saber muita coisa da vida. Porém eu sabia que ela era inteligente e sensata, com certeza se sairia bem.
Nós ficamos na beira do mar conversando enquanto o negrume da noite se aprofundava ao nosso redor e em nossos pensamentos. Ficamos um pouco em silêncio e ela percebeu a minha vontade latente de beijá-la, de tê-la. A garota olhou no relógio e disse que estava bem tarde e precisava ir para casa.
Ela foi e eu fiquei contemplando aquela noite estrelada.